Todos estão a meu redor e eu vejo-os...mas não os sinto.

Terça-feira, 10 de Abril de 2012

  

 

 

 

Eles casaram e prometeram um ao outro viver felizes para sempre, mas depois a vida acontece, acontecem os filhos, as contas e a falta de comunicação. Sentam-se num bar numa saída a cheirar a tentativa desesperada para se salvarem enquanto casal, não há palavras e os assuntos que surgem são sempre os mesmos, depois a culpabilização mutua pelo comportamento dos filhos na escola, porque um não está e o outro não pode estar, por tudo e mais alguma coisa e sei lá mais o quê e as contas!! AS CONTAS!!... Ela chora no WC do bar e pensa: " Não queria que fosse assim. As palavras doem como chicotadas que nunca merecemos receber no poste. Não mestre, não fui que roubei esse pão...Serei sempre eu a culpada, se calhar sou. ", palavras surdo-mudas, autistas. Doem mais que chicotadas. O coração bate rápido depois pára uns segundos...volta a trabalhar...parece que vai rebentar...depois...depois fica a dor. Mais nada. Senta-se de novo perto na mesa e diz "Vamos para casa?", ele acena com a cabeça, é-lhe indiferente, não viu a maquiagem esborratada sequer...mais uma noite bem passada na terra dos casais modelo. 

publicado por marisa.moreno às 04:22
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A depressão deve ser a doença de mais dificil diagnóstico e menos compreendida socialmente. Como posso eu ajudar alguém que não fala, não age nem reage? Depois tento perceber entrando na sua cabeça, mesmo assim é dificil entender, esta pessoa está consciente da sua condição, da sua solidão, compreendo isso enquanto leio um pequeno papel amarrotado que diz, " Há dias e dias a passar e eu sem ver ninguém. Ás vezes parece que ouço passos perto da porta do quarto ou alguém a falar perto da minha orelha. Não passa de imaginação. É o que acontece a quem está muito tempo sozinho. A etapa a seguir é odiar todo o ser humano que nos tenta alcançar. Odiarmo-nos a nós próprios. A mim. É impossivel conseguir parar este processo sozinha. Preciso de ajuda.". Fico muda.

publicado por marisa.moreno às 04:16
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012

 

 

 

 

 

 

 

Vais perceber.

Vais perceber quando olhando as mnhas lágrimas secarem,

e as palavras se fecharem,

no coração que era so teu.

 

|Todo o meu corpo até aqui viveu

Esperando pelo corpo teu.|

 

Vais perceber,

quando meu olhos não te olharem,

que a vergonha sobre mim se abateu,

porque não consegui que esse corpo teu,

fosse meu.

 

|Todo o meu corpo até aqui viveu,

Esperando pelo corpo teu.|

 

E agora vais perceber,

o quanto te amo ainda,

esperando que me ames de volta.

 

Entretanto meu corpo morreu.

|E todo o meu corpo até aqui viveu.

esperando por esse corpo teu.|

 

 

 

publicado por marisa.moreno às 20:58
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Jogar o Jogo do Mata.

Joga quem quer.

Morre quem não mata.

 

Jogar o Jogo do Mata.

Onde quem mata.

Não morre.

 

 Jogo de uma só regra.

Quem não mata

Morre. 

 

Boneco comandado.

Sorri quando mandam.

Cala sem consentir.

 

Jogo injusto este de morrer.

Porque quem mata não morre.

Mas quem morre não mata.

 

Jogar o jogo do Mata.

Onde só um vive.

E não é o boneco quem joga.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por marisa.moreno às 01:52
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Sexta-feira, 9 de Março de 2012

 

 

 

De cada vez que me abraças como quem diz "Vá acalma, estou aqui, está tudo bem..."

Sinto-me a afundar no teu corpo e afastar da tua alma.

Deixo de respirar, sufoco.

E as palavras prendem-se mesmo no fundo de mim.

E sempre que tento deitá-las fora...já nem saiem.

Mas apertam-me no peito.

 

Não quero, não me apetece deitar outra vez.

Sentir o teu calor queima-me.

Que palavras, quais palavras?

São tantas que se atropelam e desistem de aparecer.

 

Dantes amava o teu cheiro e o teu toque.

Agora nem sei explicar...

Amo-te tanto. Como foi isto acontecer?

 

Antes eras o meu anjo caído,

O meu cavaleiro salvador.

Eu dizia "mata".

Tu dizias "esfola".

Agora...já nem sei.

 

Este turbilhão de sentimentos desconexos e contraditórios.

Já nem sei.

Leva-me atrás e com ele.

Nesta espiral descendente.

De um poço do qual serei incapaz de sair.

 

Já não consigo mentir mais. 

Já não consigo disfarçar.

 

Na minha face e no meu rosto estão marcadas as linhas da dor.

No meu corpo o eterno sofrimento.

E as palavras presas.

Abafadas.

Lágrimas engulidas que já nem dos olhos têm força para sair.

Nem querem.

 

Já nem sei.

 

 

 

 

publicado por marisa.moreno às 00:56
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2011

 

 

 

É só e apenas demais.

Gastar palavras.

Raivar-te.

Não me apetece mais.

 

 

 

Mostrar-te quem sou.

Lá onde não me entendes.

Onde também não me defendes.

É simplesmente demais.

 

 

 

Cada letra, de cada palavra.

Cada sentimento, de cada emoção.

É mentira, não aguentas.

É para ti demais.

 

 

 

publicado por marisa.moreno às 20:36
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

 

 

Eu.

Numa redoma transparente.

Vejo mas não sinto nem ouço.

 

Os outros em meu redor.

Não se calam.

Não param.

Não desaparecem.

 

Eu.

Na minha redoma transparente.

De onde vejo as barbaridades.

De onde odeio e receio.

De onde nada sinto porque não me deixo tocar.

 

CALA-TE. CALA-TE.

Por muito que berres.

Eu.

Na minha redoma transparente.

Não te ouço.

 

Aqui sou invisível.

Tão transparente quanto a minha redoma.

Quando respiro fica baça.

Quando gelo fica fria.

Quando morro.

É o meu caixão.

 

Eu.

Na minha redoma transparente.

Na minha alma dura, fria e invisível.

Eu.

Morri.

 

sinto-me:
música: No speech - Guano Apes
publicado por marisa.moreno às 22:39
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